
Estava com medo de ir ao cinema, muito medo de ver esse filme. Medo de sair da sala de projeção aos prantos e vivenciar experiências dolorosas (quem quer, né, minha gente?). Aquela desconfortável sensação de ver a vida rolando na tela, de se sentir invadida e frágill e ainda ter que compartilhar essa dor com estranhos (nem sempre tão dignos, com seus sacos de pipoca gordurosa e seus celulares histéricos) por quase 2 horas, constatando seu atestado de burrice.
Tenho muito respeito pelo Cinema. Os (bons) filmes realmente me emocionam, me deprimem, me traumatizam. Há mais de 15 anos não vejo um filme de terror #medomesmo. As vezes acho que superestimo a sétima arte mas, de fato, estabeleço essa relação #façademimoquequer com todas as coisas que amo muito. Acho que é assim com todo mundo.
“Viajo por que preciso, Volto porque te amo”. Esse título me comove. Há tempos não via um título tão interessante. Simples, sincero, direto, sinopse-haica, quase piegas, anunciação, placa de caminhão. O título remete, de alguma maneira, à minha atual “situação amorosa” (não, não irei novamente para Argentina, num rompante de loucura, no meio de uma nova epidemia de gripe suína #bafo). Esperei por alguns meses um homem que veio de longe, que ficou por um tempo, que agora se vai, que viaja por que precisa, por que o amor acabou #bafo2.

Passado parcialmente o trauma, dei chances para um novo romance #bafo3. A história não é (será) a mesma por que não se repete com os mesmos personagens. Ele diz que volta por que me ama e agora , neste momento, faz uma viagem dentro de si mesmo. Enquanto isso, aprendemos a conviver com a solidão, com a expectativa e a saudade. Por tudo isso e muito mais, meu medo de encarar essa película tão familiar.
Mas aí que o domingo estava bonito e eu consegui acordar num horário decente. Precisava cumprir o ritual, mesmo sozinha, sem nenhum dos dois meninos – nem o que se vai, nem o que virá. Parti.
Nos primeiros segundos do filme tive a vontade de sair correndo, de pegar papel e caneta e começar a escrever. Eu estava feliz (só consigo escrever quando estou feliz). O medo tinha passado e eu havia encontrado, depois da água fria do Woody, um cinema que dialogava com minhas ideias de 5 anos atrás (da primeira vez que fui ao sertão de Canudos, interior da Bahia). Sempre quis fazer um filme, um documentário poético, sobre amor no sertão (nada no estilo Guel Arraes e etc). Sempre pensei naquelas imagens vertiginosas, desfocadas, foscas (que reafirmam meu irreversível processo de miopia) com muito carinho e lirismo.
Perdão pela a afirmação pretensiosa mas vos digo, sinceramente, do fundo do meu coração, Eu poderia ter feito esse filme #ricah e ele seria absolutamente o mesmo! Mesma forma, mesmo ritmo, mesmos enquadramentos, trilhas, cores, textos, estranheza. Obviamente que outras pessoas compartilham comigo este pensamento e é, justamente isso, que me deixa maravilhada. Esse discurso universal da dor, do amor, das possibilidades.
Depois do choque do “reconhecimento”, o prazer das surpresas, das trilhas sonoras absurdas que se encaixavam de forma orgânica, infalíveis, insubstituíveis. Os poemas que nasciam de dentro dos discursos científicos na voz do narrador invisível. E estamos com ele durante todo o filme, dentro do carro, dentro do quarto, dentro dele, do seu pensamento. Suas câmeras são nossos pontos de vista. Temos a visão privilegiada. O recurso não cansa, pelo contrário, poderia ver esse filme por horas e horas sem me chatear. Sensação estranha de um “Big Brother as avessas” . O personagem principal não é um ser fantástico, poderoso, anormal. É um homem comum, com sentimentos comuns . Nada de extraordinário acontece no filme (E com essa frase eu me contradigo, para não perder o costume, por que o extraordinário é o que SÓ acontece ali – Espero que estejam me entendendo #confusa).

Montagem e fotografia feminina ( não sei se quero dizer algo com isso, é só uma observação) Devo achar normal que as coisas que admiramos se aproximam cada vez mais de nossas intenções ( por isso que as admiramos. #tostines). Não sei mais o que falar sobre esse filme. Eu gostaria que todos os meus amigos o vissem para depois conversarmos sobre, para que eles entendessem um pouco sobre minhas maluquices, sobre meu desejo de “vida-lazer”, do porque eu gosto tanto de viajar na janela, do porque de tanto amor.
No momento em que terminei esse texto, recebi uma mensagem no celular. É ele, dizendo que me ama e que chega em Salvador dia 20 de julho.
Feliz