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Reencontros.

A cidade estava fria e úmida na noite de quinta. Fui ao cinema. O ônibus corria pelas ruas da Avenida 7 como se quisesse acertar alguém. Apesar do monstruoso engarrafamento, cheguei cedo e pude caminhar, sem pressa, pelas ruas do decadente “Pelourinho Junino”. Mendigos, vendedores de bobagens, barracas de comidas e bebidas nada saborosas,  homens amarelos, mulheres de cabelos vermelhos, crianças, crianças, crianças transtornadas, guardas, pseudo segurança.

O olfato me pregando peças: caramelo, pipoca doce, milho cozido, dendê, urina. Uma festa que deixaria Grenouille enlouquecido.
Confundi uma pessoa com um saco de lixo. Ela estava encostada num canto. Aquele monte de plástico preto se movimentando sem pressa.  No largo principal, um palco montado para o show do Gil para a abertura do  São João no Pelô – a bizarra tentativa de manter “aquilo” vivo durante a baixa estação. A pessoa/saco de lixo continua lá e continuará, até que as bandeirolas coloridas dêem lugar as luzes da decoração de Natal.
Desci uma ladeira e cheguei no Cine XIV, um espaço, para mim, tão bacana quanto o Cinema do Museu e, como muitos espaços de Salvador, extremamente mal aproveitado. O rapaz da bilheteria conversava com a moça da lanchonete, os únicos seres do local. Eles me receberam com um sorriso amarelo: “Vamos dar o prêmio para ela”. Sorri amarelo de volta: “Sou a única para a sessão, correto?”. Não consegui esconder a minha satisfação, adoro sessões de cinema com poucas pessoas, sem barulho, sem celular, sem o brilho do celular,  sem gente, sem stress. Eu e a escuridão = Paraíso.
Comprei o bilhete, preço único, cinco reais. A única Sala de Arte com essa promoção. Mais uma razão para achar triste que o espaço seja tão pouco frequentado, como se queixava a moça da lanchonete enquanto  me servia um café.
Saí, cigarro. Encontrei D. a caminho do teatro para ensaiar. Ele estava com uma expressão engraçada e me confessou ter visto, recentemente, Jodorowsky. “Drogas pesadas”,  pensei ,”drogas pesadas”.
Fiquei um pouco triste pelos funcionários do cinema já se organizando para sair mais cedo para não enfrentar a chuva. Dissimulei e soltei uma daquelas “mentirinhas com boa intenção” – Ô gente, eu vim láá de Itapuã só pra ver esse filme! Estão vendo? É o destino –  Por fim, sorrimos os três e decidimos ver a sessão juntos. Fechamos as portas.
Não conheço  a obra da Chantal Akerman. Sei da existência da diretora apenas de ouvir falar que ela participou do júri de algum festival. Cheguei até o documentário do Gustavo Beck e  do Leonardo Luiz Ferreira guiada pelas boas críticas feitas sobre o  filme. Foi um agradável encontro. Meu encontro com Chantal, meu reencontro com o cinema, ou melhor, com questões sobre cinema. Cinema puro, teoria, conversas, epifanias, mãos distorcidas no ar querendo expressar alguma coisa. Fui transportada para os anos de 2006, lembrei dos amores antigos, lembrei de um Godard não clichê, lembrei das sessões da Sala Walter da Silveira, de Chabrol, Rivette, de quando eu não sabia ao certo a pronúncia e grafia correta de “Cahiers du Cinéma”. Adolescência. Sofri um pouco. Refleti sobre o que acontece agora na minha vida. Sobre o mal de passar tanto tempo presa na ilha de edição (fisica e mentalmente) e, por consequencia, me distanciar de outras questões (o quadro, a imagem, o roteiro, atuação, direção, foco, o plano, o plano, o plano).
O doc acontece assim: Uma cadeira, Chantal chega, senta, existe e responde perguntas simples e complicadas sobre cinema. Acredito que a voz masculina que faz as perguntas seja a voz do diretor. Uma voz segura que sabe com quem está falando e sobre o que está falando. Estão, apesar da postura meio “sem paciência” de Chantal, conectados. A conversa é produtiva e, por Deus, que coisa maravilhosa é apreciar, nesses tempos tão imbecis, um bom diálogo.
A voz apresenta os tópicos e Chantal apresenta seu não-discurso. Ao mesmo tempo que parece aborrecida por ter que  responder as mesmas perguntas por tantas vezes, molestada por ter que pensar sobre as respostas; nos oferece, com clareza, sinceridade e genialidade suas visões sobre suas obras e sobre cinema. O não-método, a intuição, o sofrimento, o encantamento.  E um filme sem corte me fez repensar sobre montagem; e uma mulher madura me faz pensar na juventude. Sinceramente, não fiquei com vontade de sair correndo para ver “Jeanne Dielman, 23 Quai du Commerce, 1080 Bruxelles” ou “Hotel Monterey” . O sentimento do momento é um “desespero doce”, é a vontade de ver meus próprios filmes.
Tudo está um caos e a semana termina estranhamente bem com esse episódio e com a fala de Galeano.

Mil anos sem aparecer por aqui. Sou outra pessoa.

Em breve, texto sobre o novo curta de Ficção que estou editando. Mais informações em: www.curtajoelma.com.br

Brincando com o Magic Bullet. VT pra Festa A Bolha

Fuçando o baú das bobagens que a gente escreve nos primeiros semestres da faculdade, achei esse trabalho. Um exercício para a matéria de som no cinema. Lembro que ele foi escrito dentro do avião.  Viagem pouca é bobagem

Contexto escolhido: no futuro próximo, um micro-apartamento no coração de Tóquio.
Exterior. Dia. Rua movimentada.

SOM: Barulho de carros, apitos, confusão de conversas, buzinas, rodas de bicicleta.
Interior. Dia. Apartamento.

“Um ponto de interrogação”
Um homem, 25 anos, deitado de bruços numa cama. Ele está descoberto e traja apenas cueca. Abre os olhos bruscamente (close dos olhos).
SOM: Silêncio total.

“Inquietação”
O homem levanta da cama, caminha de um lado para o outro dentro do quarto.
SOM: Tambores (ênfase de movimento). O som se inicia ao primeiro passo do homem no quarto e os cortes feitos na seqüência são cadenciados pelas batidas do tambor. 2 notas – grande dissonância. Andamento rápido sem alterações. Dinâmica: do fortíssimo a pianíssimo. Ritmo regular. Em segundo plano, surge um som de telefone (agudo)- que começa com baixa altura, funde-se com o som dos tambores, que perde altura e dá lugar ao toque do telefone.

“Vertigem”
Homem olha para o telefone.
SOM: Toque do telefone. Neste momento, o toque se torna estilizado, repete-se com um eco exagerado, irreal.
“Um corpo que cai”
SOM: Permanência do B (si) por alguns segundos, funde-se com outro som dissonante que gera o trítono.

“Desilusão amorosa”
Homem anda pelo quarto e olha fotografias de uma mulher, que estão espalhadas em porta-retratos, em algumas das fotos ele também está.
SOM: Piano, 4 notas. Intervalos consonantes modo lídio, tonal, densidade rarefeita, significante de emoção.

“Uma leve tristeza”
Permanência por alguns segundos do som do contexto “desilusão amorosa” para em seguida, uma variação de 4 para 3 notas.
“Uma aparente traição”
SOM: Permanência por alguns segundos do som do contexto.
“Uma leve tristeza”
Em seguida, uma variação de 3 para 2 notas.
“Um choro de amor desesperado”
SOM: Piano, uma nota, que perde altura lentamente. Sensação de vazio, o efeito obtido por conta de exclusão das notas.
“Um susto”
SOM: Telefone toca em altura alta. “Medo”.

“Medo”
SOM: Continua som de toque de telefone.
“Fuga em pânico”
Homem corre do apartamento e desce as escadas do hotel)
SOM: O mesmo de “Inquietação”, só que com andamento mais rápido.

“Terror sobrenatural”
SOM: O mesmo de “Inquietação”, só que com andamento mais rápido, mais agudo e constante.
 
“A morte do inocente. Uma tristeza profunda.”
SOM: Apenas o som agudo.
“Um ato de bravura do Herói”
Rapaz pára de correr e volta para o Hotel lentamente.
SOM: Silêncio bruscamente interrompido por som de piano.

“A Reconciliação amorosa”
Altura aumenta, enfatiza intensidade de sentimentos. Tons maiores e consonantes, harmonia doce, instrumentos de corda.
“Apaziguamento de conflitos e paz”
Mesmas notas de “Reconciliação amorosa”, em andamento mais lento, altura menor, mantendo ritmo e sumindo em fade.
“Um ponto final, apesar das grandes perdas”
Timbre doce de instrumento de sopro em tons maiores, altura baixando.

Estava com  medo de ir ao cinema, muito medo de ver esse filme. Medo de sair da sala de projeção aos prantos e vivenciar experiências dolorosas (quem quer, né, minha gente?). Aquela desconfortável sensação de ver a vida rolando na tela, de se sentir invadida e frágill e ainda ter que compartilhar essa dor com estranhos (nem sempre tão dignos, com seus sacos de pipoca gordurosa e seus celulares histéricos) por quase 2 horas, constatando seu atestado de burrice.

Tenho muito respeito pelo Cinema. Os (bons) filmes realmente me emocionam, me deprimem, me traumatizam. Há mais de 15 anos não vejo um filme de terror #medomesmo. As vezes acho que superestimo a sétima arte mas, de fato, estabeleço essa relação #façademimoquequer com todas as coisas que amo muito. Acho que é assim com todo mundo.

“Viajo por que preciso, Volto porque te amo”. Esse título me comove. Há tempos não via um título tão interessante. Simples, sincero, direto, sinopse-haica, quase piegas, anunciação, placa de caminhão. O título remete, de alguma maneira, à minha atual “situação amorosa” (não, não irei novamente para Argentina, num rompante de loucura, no meio de uma nova epidemia de gripe suína #bafo). Esperei por alguns meses um homem que veio de longe, que ficou por um tempo, que agora se vai, que viaja por que precisa,  por que o amor acabou #bafo2.

Passado parcialmente o trauma, dei chances para um novo romance #bafo3. A história não é (será) a mesma por que não se repete com os mesmos personagens. Ele diz que volta por que me ama e agora , neste momento, faz uma viagem dentro de si mesmo. Enquanto isso, aprendemos a conviver com a solidão, com a expectativa e a saudade. Por tudo isso e muito mais, meu medo de encarar essa película tão familiar.

Mas aí que o domingo estava bonito e eu consegui acordar  num horário decente.  Precisava cumprir o ritual, mesmo sozinha, sem nenhum dos dois meninos – nem o que se vai, nem o que virá. Parti.

Nos primeiros segundos do filme tive a vontade de sair correndo, de pegar papel e caneta e começar a escrever. Eu estava feliz (só consigo escrever quando estou feliz). O medo tinha passado e eu havia encontrado, depois da água fria do Woody, um cinema que dialogava com minhas ideias de 5 anos atrás (da primeira vez que fui ao sertão de Canudos, interior da Bahia). Sempre quis fazer um filme, um documentário poético, sobre amor no sertão (nada no estilo Guel Arraes e etc). Sempre pensei naquelas imagens vertiginosas, desfocadas, foscas (que reafirmam meu irreversível processo de miopia) com muito carinho e lirismo.

Perdão pela a afirmação pretensiosa mas vos digo, sinceramente, do fundo do meu coração, Eu poderia ter feito esse filme #ricah e  ele seria absolutamente o mesmo! Mesma forma, mesmo ritmo, mesmos enquadramentos, trilhas, cores, textos, estranheza. Obviamente que outras pessoas compartilham comigo este pensamento e é, justamente isso,  que me deixa maravilhada. Esse discurso universal da dor, do amor, das possibilidades.

Depois do choque do “reconhecimento”, o prazer das surpresas, das trilhas sonoras absurdas que se encaixavam de forma orgânica, infalíveis, insubstituíveis. Os poemas que nasciam de dentro dos discursos científicos na voz do narrador invisível. E estamos com ele durante todo o filme, dentro do carro, dentro do quarto, dentro dele, do seu pensamento. Suas câmeras são nossos pontos de vista. Temos a visão privilegiada. O recurso não cansa, pelo contrário, poderia ver esse filme por horas e horas sem me chatear. Sensação estranha de um “Big Brother as avessas” . O personagem principal não é um ser fantástico, poderoso, anormal. É um homem comum, com sentimentos comuns . Nada de extraordinário acontece no filme (E com essa frase eu me contradigo, para não perder o costume, por que o extraordinário é o que SÓ acontece ali –  Espero que estejam me entendendo #confusa).

Montagem e fotografia feminina ( não sei se quero dizer algo com isso, é só uma observação) Devo achar normal  que as coisas que admiramos se aproximam cada vez mais de nossas intenções ( por isso que as admiramos. #tostines). Não sei mais o que falar sobre esse filme. Eu gostaria que todos os meus amigos o vissem para depois conversarmos sobre, para que eles entendessem um pouco sobre minhas maluquices, sobre meu desejo de “vida-lazer”, do porque eu gosto tanto de viajar na janela, do porque de tanto amor.

No momento em que terminei esse texto, recebi uma mensagem no celular. É ele, dizendo que me ama e que chega em Salvador dia 20 de julho.

Feliz


Não tenho nenhum talento musical. Tentei tocar violão aos 15 anos, comprei um Tonante vagabundo com cordas de aço e um som terrível. Não consigo lembrar nem de “índios”, a música mais bufa dos luais da galera da escola. Mesmo assim, depois do cinema, considero a música uma das coisas mais importantes da minha vida.

Dia desses eu estava pensando sobre meus antigos namorados e percebi que, inconscientemente, me relacionei com uma sequência de músicos: um pianista, um baterista, um violinista e um baixista (sendo este último, o mais recente, integrante da banda que faz um “solo” maravilhoso neste momento). Tem aquele lance da “síndrome do palco”, de me apaixonar por meninos talentosos e de gostar de admirar (não, nunca fui groupie).

Músicos são seres sensíveis, abençoados e com muito, muito sex appeal. No entando, pra não fugir da regra do coração-leviano, a comunicação nem sempre é muito fácil. Bueno que todo romance, namoro, flerte tem trilha sonora:

*alguns nomes são fictícios, a ordem dos fatos pode não estar muito certa e nem todos são músicos

Tiago Rocha – Primeiro namorado. Não passamos do estágio “namorinho de portão” . Descobrimos o rock praticamente juntos e claro, como toda criança idiota, ouvimos o Kurt:

Raniê – Paixão não correspondida de escola. Eu lembro que chorava quando ouvia essa música. So terrible mas foi assim que eu descobri o Skaaaaaaa.

Janberk – O turco, o mais desgraçado e o mais musical de todos. Fica difícil escolher uma música só. Gostaria que fosse um canto fúnebre mas o infeliz continua vivo. Ele amava rock e reggae e eu ficava enchendo o  saco dele para que ele me mostrasse música tradicional turca

Ok, lá vai:

and

continua…

******************************************************************************************************************************************************Ontem Edou me convidou para ver um filme no Goethe Institut. Assistimos “Vier Minuten”, um filme de 2006 dirigido por Chirs Kraus que conta a história da relação entre uma rabugenta e misteriosa professora de piano e uma jovem violenta presa por assassinato. O Filme tem momentos interessantes, principalmente as partes musicais no entanto, peca com os excessos de clichê previsíveis em relações entre as  personagens estereotipadas. Destaco o atuação de Sven Pippig vivendo o guarda Mütze, o  personagem mais sincero do filme. “Vier Minuten” faz parte da mostra Novos Filmes Alemães que acontece até dia 30 de março no Cine-Teatro Goethe-Institut Salvador Bahia : http://www.goethe.de/ins/br/sab/kue/flm/pt5642698v.htm

Eu também gostei do final:

Eu dormi com você e peguei suas manias…

Eu queria mostrar esse vídeo para você

e depois beijar sua barriga…

Poucos filmes me deixam com vontade de escrever. Na verdade, como dá pra perceber, eu não gosto muito de escrever (na verdade, como diria um ex-namorado rancoroso, eu não sei). Não vi a cerimônia do Oscar, não vi Avatar e certamente não verei Preciosa. Dia desses entrei no Cine XIV e tive a grata surpresa de ver o negócio funcionando e, o que melhor, a preços “populares”. Eu nunca me importei em gastar o (pouco) dinheiro que tenho com cinema. Seja pra ver um filme novo, pagando os preços obscenos da sala de arte ou alugando 25 DVDs de vez na locadora do bairro. Era um “luxo” que eu me dava, sempre com a desculpa (pra mim mesma) que estava “investindo nos estudos”. Essa que vos escreve se formou em cinema em 1967 (faz tanto tempo que as vezes tenho a impressão ser essa a data certa).

oioi MacGyver

Bueno, como estava dizendo, fui no cinema pra ver Guerra ao Terror, a.k.a. “O filme da mulher que ganhou o Oscar”. Não achei essas coca cola toda e nem vou me alongar sobre isso. É um filme de guerra, sobre guerra, com todos os clichês de filme de guerra (assim fica fácil, né minha tia?). Sai do cinema com aquela velha e incomoda sensação de que o filme poderia ser melhor. Eu lembro da construção do personagem do  Jeremy Renner, o que veste a armadura mágica… todos os estágios rigorosamente definidos: apresentação, reconhecimento, empatia, you are my hero.  Uma das últimas cenas em que ele e o outro carinha conversam no carro sobre as razões de estarem de estarem ali também me agradou muito. Teve aquele olhar meio psicopata do mocinho, aquele olhar que dizia “eu também sou homem bomba, eu também sou kamikase”. Fim do último ato.

oioi Tarkovski

(….) Intervalo de um dia para continuar esse post. Preguiça + falta de tempo + mudança pra casa nova.

Sim, mas eu estava aqui para falar de “A fita branca”, um dos melhores filmes da década. Eu escrevi e salvei no meu HD mental umas trezentas observações sobre obra, o que renderia uma crítica razoável que justificaria o tempo que nós estamos perdendo aqui, mas aí o HD deu pau e eu perdi tudo. Bueno, fiquemos então com a boa velha rasgação de seda:  Experiência estranha e linda. Há muito tempo que não via um fotografia tão competente e funcional dentro de uma obra. Haneke faz um cinema sério, inteligente, tenso, denso. Vocês podem achar em outros blogs infinitas críticas que contemplam toda essa questão da relação com o nazimos, facismo que você tanto quer saber.  Eu fico com as sábias palavras do próprio diretor na tradução de Maurício Stycer:

“Não ficaria feliz se esse filme fosse visto como um filme sobre um problema alemão, sobre o nazismo. Este é um exemplo, mas significa mais que isso. É um filme sobre as raízes do mal. É sobre um grupo de crianças, que são doutrinadas com alguns ideais e se tornam juízes dos outros – justamente daqueles que empurraram aquela ideologia goela abaixo deles. Se você constrói uma idéia de uma forma absoluta, ela vira uma ideologia. E isso ajuda àqueles que não têm possibilidade alguma de se defender de seguir essa ideologia como uma forma de escapar da própria miséria. E este não é um problema só do fascismo da direita. Também vale para o fascismo da esquerda e para o fascismo religioso. Você poderia fazer o mesmo filme – de uma forma totalmente diferente, é claro – sobre os islâmicos de hoje. Sempre há alguém em uma situação de grande aflição que vê a oportunidade, através da ideologia, para se vingar, se livrar do sofrimento e consertar a vida. Em nome de uma idéia bonita você pode virar um assassino.”

oioi Bergman

É esse cinema que dialoga com ideologias, que se aproxima das questões macro, que conta muito mais que histórias inofensivas e despretensiosas (ok, tudo ao seu tempo) que faz a diferença entre realizadores e grandes cineastas (não procurei encontrei uma forma menos clichê de terminar esse parágrafo).

Em tempos: Minha vida tá toda desorganizada e eu ainda invento de retomar o blog. Minha TPM que dura dois meses. As aulas de francês e alemão que desgraçaram minha vida. Novos gastos fixos com aluguel do ap no Campo Grande. Já acordo com sono. Façam suas apostas: Sobreviverá Iris até junho de 2010?

UM DOS MELHORES DIÁLOGOS DA HISTÓRIA CINEMA


Continua…

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