Poucos filmes me deixam com vontade de escrever. Na verdade, como dá pra perceber, eu não gosto muito de escrever (na verdade, como diria um ex-namorado rancoroso, eu não sei). Não vi a cerimônia do Oscar, não vi Avatar e certamente não verei Preciosa. Dia desses entrei no Cine XIV e tive a grata surpresa de ver o negócio funcionando e, o que melhor, a preços “populares”. Eu nunca me importei em gastar o (pouco) dinheiro que tenho com cinema. Seja pra ver um filme novo, pagando os preços obscenos da sala de arte ou alugando 25 DVDs de vez na locadora do bairro. Era um “luxo” que eu me dava, sempre com a desculpa (pra mim mesma) que estava “investindo nos estudos”. Essa que vos escreve se formou em cinema em 1967 (faz tanto tempo que as vezes tenho a impressão ser essa a data certa).
oioi MacGyver
Bueno, como estava dizendo, fui no cinema pra ver Guerra ao Terror, a.k.a. “O filme da mulher que ganhou o Oscar”. Não achei essas coca cola toda e nem vou me alongar sobre isso. É um filme de guerra, sobre guerra, com todos os clichês de filme de guerra (assim fica fácil, né minha tia?). Sai do cinema com aquela velha e incomoda sensação de que o filme poderia ser melhor. Eu lembro da construção do personagem do Jeremy Renner, o que veste a armadura mágica… todos os estágios rigorosamente definidos: apresentação, reconhecimento, empatia, you are my hero. Uma das últimas cenas em que ele e o outro carinha conversam no carro sobre as razões de estarem de estarem ali também me agradou muito. Teve aquele olhar meio psicopata do mocinho, aquele olhar que dizia “eu também sou homem bomba, eu também sou kamikase”. Fim do último ato.
oioi Tarkovski
(….) Intervalo de um dia para continuar esse post. Preguiça + falta de tempo + mudança pra casa nova.
Sim, mas eu estava aqui para falar de “A fita branca”, um dos melhores filmes da década. Eu escrevi e salvei no meu HD mental umas trezentas observações sobre obra, o que renderia uma crítica razoável que justificaria o tempo que nós estamos perdendo aqui, mas aí o HD deu pau e eu perdi tudo. Bueno, fiquemos então com a boa velha rasgação de seda: Experiência estranha e linda. Há muito tempo que não via um fotografia tão competente e funcional dentro de uma obra. Haneke faz um cinema sério, inteligente, tenso, denso. Vocês podem achar em outros blogs infinitas críticas que contemplam toda essa questão da relação com o nazimos, facismo que você tanto quer saber. Eu fico com as sábias palavras do próprio diretor na tradução de Maurício Stycer:
“Não ficaria feliz se esse filme fosse visto como um filme sobre um problema alemão, sobre o nazismo. Este é um exemplo, mas significa mais que isso. É um filme sobre as raízes do mal. É sobre um grupo de crianças, que são doutrinadas com alguns ideais e se tornam juízes dos outros – justamente daqueles que empurraram aquela ideologia goela abaixo deles. Se você constrói uma idéia de uma forma absoluta, ela vira uma ideologia. E isso ajuda àqueles que não têm possibilidade alguma de se defender de seguir essa ideologia como uma forma de escapar da própria miséria. E este não é um problema só do fascismo da direita. Também vale para o fascismo da esquerda e para o fascismo religioso. Você poderia fazer o mesmo filme – de uma forma totalmente diferente, é claro – sobre os islâmicos de hoje. Sempre há alguém em uma situação de grande aflição que vê a oportunidade, através da ideologia, para se vingar, se livrar do sofrimento e consertar a vida. Em nome de uma idéia bonita você pode virar um assassino.”
oioi Bergman
É esse cinema que dialoga com ideologias, que se aproxima das questões macro, que conta muito mais que histórias inofensivas e despretensiosas (ok, tudo ao seu tempo) que faz a diferença entre realizadores e grandes cineastas (não procurei encontrei uma forma menos clichê de terminar esse parágrafo).
Em tempos: Minha vida tá toda desorganizada e eu ainda invento de retomar o blog. Minha TPM que dura dois meses. As aulas de francês e alemão que desgraçaram minha vida. Novos gastos fixos com aluguel do ap no Campo Grande. Já acordo com sono. Façam suas apostas: Sobreviverá Iris até junho de 2010?
UM DOS MELHORES DIÁLOGOS DA HISTÓRIA CINEMA
Continua…



Se você não me chamar para assistir um filme, por pior que seja, ou então para tomar um cerveja com você EU é que não sobreviverei até junho de 2010.
Beijos. Saudade. Teu
muitas saudades também! muitas! aff, muitas
eu amor vc